Fogo em velódromo, onde há competições e treinos de 30 modalidades, atingiu sala de museu olímpico
Por Yuri Eiras | Folhapress
Reginaldo Pimenta/Agência O DIA
Reginaldo Pimenta/Agência O DIA O incêndio que atingiu nesta quarta-feira (8) a cobertura do velódromo do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, causou danos parciais em uma sala do Museu Olímpico, localizado no segundo andar da arena. O museu foi inaugurado em agosto do ano passado e contém objetos originais da Olimpíada e Paralimpíada de 2016, além de espaços imersivos, onde visitantes simulam a prática de modalidades.
Uma das hipóteses mencionadas pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) é a de que o fogo pode ter se alastrado para a cobertura a partir de uma dessas salas imersivas. Segundo ele, esta foi a única estrutura interna afetada pelo fogo —a pista de ciclismo não foi afetada, segundo vistoria inicial de engenheiros. Uma perícia ainda será realizada.
"A pista do velódromo olímpico, a partir de avaliação preliminar feita pelo time de engenharia da prefeitura e da Confederação de Ciclismo, não teve qualquer impacto, ela está intacta, preservada. Obviamente, precisará de limpeza para anunciarmos a retomada", afirmou o prefeito Cavaliere.
"A partir da avaliação técnico dos engenheiros vamos avaliar se vai ter alguma intervenção, se vai haver alguma mudança da lona."
O Museu Olímpico foi inaugurado em agosto do ano passado, nove anos após os jogos. O espaço possui 13 áreas temáticas e objetos originais, como bolas e uniformes usados por atletas e delegações.
Algumas das salas simulam corrida de 100 metros rasos e exercícios na trave de equilíbrio da ginástica artística. A prefeitura afirma que 1.100 visitas ao museu foram registradas em março e 20 mil desde a inauguração.
O incêndio destruiu pelo menos metade da cobertura, feita de lona. Os bombeiros foram acionados durante a madrugada desta quarta, por volta das 4h. Segundo a prefeitura, havia brigadistas locais no início do incêndio. Durante a manhã, 80 militares de dez quartéis trabalharam no combate. O fogo, até o fim da manhã, era considerado controlado, mas chamas voltaram a aparecer no início da tarde.
A prefeitura não indicou prazo para reabertura do museu.
O velódromo recebeu as modalidades de ciclismo de pista e paraciclismo de pista na Olimpíada de 2016. No primeiro andar da arena ocorrem treinamentos de atletas vinculados às confederações brasileiras de ciclismo, esgrima, levantamento de peso e ginástica.
O espaço também abriga competições profissionais e treinamentos de amadores e atletas de base. São atividades de 33 modalidades, como voleibol, basquetebol, ginástica, ciclismo e jiu-jitsu. O espaço atende mensalmente a 4.280 pessoas, a partir dos 6 anos, segundo o município.
No ano passado o Campeonato Mundial de Paraciclismo de Pista aconteceu no velódromo.
O velódromo foi o equipamento cuja obra teve o maior atraso. A construção foi bancada pelo governo federal, com custo de mais de R$ 140 milhões à época —a construção foi da Prefeitura do Rio, período do segundo mandato do ex-prefeito Eduardo Paes.
A estrutura foi entregue em junho de 2016, seis meses após a previsão e a menos de dois meses da cerimônia de abertura da Olimpíada, em 5 de agosto daquele ano.
O atraso na entrega causou na época o cancelamento de eventos-teste na pista. O piso de madeira instalado na pista, importado da Sibéria, na Rússia, demorou a chegar e foi um dos motivos apontados pelo atraso.
O velódromo fica na avenida Abelardo Bueno, na Barra, no mesmo espaço onde foi construído outro velódromo para o Pan-Americano de 2007. A arena original precisou ser demolida porque não atendia aos critérios olímpicos — ciclistas atingiam velocidade média de 65 km/h, e a olímpica precisava de 110 km/h.
Em 2017 um incêndio já havia atingido a cobertura do atual velódromo. O acidente na época foi causado por um balão.




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