A evolução ocorre em um contexto de manutenção de aportes expressivos ao longo do Velho Chico. No sistema da Chesf, as vazões médias registradas em 10 de abril foram de 1.457 m³/s em São Romão, 1.803 m³/s em São Francisco, 2.535 m³/s em Bom Jesus da Lapa, e 2.940 m³/s em Morpará. Os números ajudam a explicar a permanência de níveis elevados no rio e a recuperação do principal reservatório do Submédio São Francisco.
Outro fator de contexto é a situação de Três Marias, em Minas Gerais, reservatório que exerce papel central na regularização do São Francisco. Na consulta feita neste sábado, a usina da Cemig aparecia com volume útil instantâneo de 101,95%, nível atual de 572,77 metros, afluência de 891,9 m³/s e defluência de 212,31 m³/s. Nos dados diários, o reservatório fechou o dia 10 de abril com 101,7% do volume útil.
No trecho baiano do rio, o boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado na tarde de sexta-feira, 10 de abril, indicou que Bom Jesus da Lapa estava com nível de 562 centímetros, acima da cota de alerta de 525 cm e abaixo da cota de inundação de 625 cm, com tendência de queda gradual. Nas demais estações monitoradas na Bahia, os níveis estavam abaixo das cotas de alerta: Carinhanha tinha 366 cm, Ibotirama 440 cm, Morpará 532 cm, Barra 500 cm e Gameleira, em Sítio do Mato, 615 cm.
O quadro confirma que o São Francisco segue com volumes relevantes ao longo de vários trechos, mesmo com sinais de recuo gradual em parte do Médio São Francisco devido à diminuição das chuvas.
A Chesf informa que opera seus reservatórios com base em regras e diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e homologadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), observando os diferentes usos da água nas bacias. O sistema da companhia reúne dados diários de cotas, vazões, afluência, defluência e nível dos reservatórios.
Com Sobradinho perto de 95% e Três Marias acima de 100%, o cenário reforça a fase de recuperação hídrica do São Francisco em 2026. Para a Bahia, isso significa manutenção de uma condição mais favorável no principal reservatório do Submédio, embora o comportamento do rio continue exigindo acompanhamento nos pontos historicamente mais sensíveis do curso baiano.

Foto: André Schuler/Chesf



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