• Ilhéus, 31/03/2026
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Salvador terá 20 novos semáforos sonoros para auxiliar a travessia de pedestres com deficiência visual

Por Luis Vasconcelos do BN
Salvador terá 20 novos semáforos sonoros para auxiliar a travessia de pedestres com deficiência visual créditos: Foto: Alex de Jesus/O Tempo

Atravessar uma rua movimentada em Salvador pode ser um desafio de paciência e, muitas vezes, de sorte para quem possui deficiência visual. Pensando nisso, a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) está desenvolvendo um projeto para ampliar o número de semáforos sonoros na capital baiana. A previsão da autarquia é que os novos dispositivos sejam instalados em 20 cruzamentos estratégicos da cidade até o final de 2026.

 

O objetivo da medida é garantir autonomia e segurança na travessia. O sistema opera por meio de sinais acústicos integrados ao ciclo semafórico:

  • Sinal verde para pedestres: O equipamento emite um som intermitente ou contínuo para indicar que a passagem está liberada;
  • Sinal vermelho para pedestres: O som é interrompido ou alterado para um bip de alerta, indicando que o tráfego de veículos foi retomado.

 

Segundo Everaldo Neris, presidente da Associação de Cegos da Bahia (ACB), a iniciativa é fruto de uma provocação direta feita pela instituição. Para definir os pontos prioritários, a ACB realizou uma enquete com seus cerca de 300 associados e usuários frequentes, focando em locais de "fluxo vivo" da comunidade. Os critérios para avaliação dos locais foram:

  • Entorno de instituições de apoio: Proximidade de centros de reabilitação e atendimento a pessoas com baixa visão;
  • Polos de educação e esporte: Áreas próximas a colégios e grandes arenas, como a Casa de Apostas Arena Fonte Nova;
  • Centros comerciais e terminais: Locais como a Lapa e o Campo da Pólvora, onde a independência de locomoção é vital para o exercício da cidadania.

 

Os pontos sugeridos pela ACB para análise técnica da Transalvador contempla gargalos históricos de acessibilidade em Salvador:

  1. Em frente à Arena Fonte Nova, em ambos os sentidos;
  2. Um ponto anterior à entrada da Lapa, no Vale do Tororó;
  3. Rua General Labatut, nas proximidades do Colégio Assunção;
  4. Rua da Piedade, nas imediações do Center Lapa;
  5. Bairro do Canela, nas proximidades do Hospital das Clínicas;
  6. Avenida Joana Angélica, em frente ao Colégio Central;
  7. Campo da Pólvora, nas imediações da estação de metrô;
  8. Entrada do Vale das Pedrinhas, nas proximidades da estação do BRT;
  9. Praça da Piedade, no sentido Castro Alves;
  10. Saída da Estação Pirajá, na área de acesso ao pátio/estoque de ônibus;
  11. Barbalho, em frente ao Colégio Getúlio Vargas;
  12. Praia da Preguiça, em frente ao Restaurante Amado.

 

Até então, o cenário de Salvador era considerado precário, com dispositivos operacionais concentrados quase exclusivamente no bairro do Barbalho. A nova etapa do projeto promete tecnologia atualizada e integrada ao Centro de Controle Operacional (CCO) da Transalvador.

 

Para os associados da ACB, a instalação desses equipamentos representa mais do que tecnologia, representa liberdade. "Com essa instalação, as pessoas cegas não vão mais ficar para trás", destacou Everaldo. Poder atravessar a rua confiando no som que guia seus passos, sem depender da sensibilidade ou do auxílio de terceiros, é o verdadeiro significado de acessibilidade urbana. 




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