Edson Gomes canta Fogo na Babilônia e faz alegria da nação regueira no Lollapalooza
Devid Santana/BNews É sobre essa linha tênue entre simbologia rastafari e mentalidade protestante, ambas com mesma raiz cristã, que Edson Gomes equilibrou sua carreira nas últimas décadas. Declarações polêmicas se tornaram comuns, especialmente junto a seus fãs --a mais recente foi sobre comunistas sequestrarem crianças.
Mesmo assim, o baiano de Cachoeira, berço do reggae nacional, nunca deixou de arrastar fãs em seus shows prova de sua capacidade única de sublimar em suas canções desavenças de todo tipo, inclusive políticas, num paradoxo bem brasileiro. Foi o que fez no Lollapalooza.
O show foi uma chuva de hits da sua carreira de quase 50 anos. E entre esses, os destaques saíram do disco de estreia, "Reggae Resistência". A abertura com "Guerreiro do Terceiro Mundo", seguida por "Perdido de Amor", mostraram um conjunto redondo na entrega, uma banda que gira em torno das divisões e melodias de Gomes.
Em outros sucessos, como "Malandrinha" e "Camelô", o público acompanhou o cantor em uníssono. Esse misto de amor e guerra, paz e luta, seguiu dando a tônica da apresentação em faixas como "Lute" e "Criminalidade", ponto alto para ataques e articulações do trio de sopro.
O show, feito uma linha de baixo de reggae bem desenhada, fechou como começou: no alto --e sem declarações polêmicas de Gomes ao microfone. Na penúltima faixa, "Ovelha", o "cão de raça" cantou: "Eu também sou a ovelha negra da família".





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